Mundo
"Somos os melhores". Trump nas Nações Unidas com elogio da superioridade americana
O presidente norte-americano tomou esta terça-feira o púlpito na Assembleia Geral das Nações Unidas com um discurso que posiciona os Estados Unidos como o guardião dos destinos do mundo. A ideia de que estava indeciso sobre se deveria aniquilar o Irão constou no discurso que entregou ao organismo que regula a paz mundial.
As primeiras palavras de Donald Trump à Assembleia Geral das Nações Unidas marcaram desde logo o tom de uma abertura beligerante, como tem sido o tom da gramática oficial da Administração nesta segunda passagem do multimilionário pela Casa Branca.
Assinalando o aniversário festejado há um par de meses dos 250 anos dos Estados Unidos, Trump anunciou, “com orgulho, que a América está de volta e o nosso país está mais forte hoje do que alguma vez: a nossa economia é a inveja do mundo, o nosso exército é o mais forte do mundo, a nossa tecnologia é ímpar e somos líderes em tudo”.
“O nosso poder alarga-se, o nosso país está melhor do que nunca e o nosso futuro é muito risonho”, declarou perante a assembleia, para passar de seguida aos números da economia americana e virando o discurso anual nas Nações Unidas para dentro do país, com as questões domésticas a dominarem por largos minutos o que pode ser visto como um momento de campanha.
A Assembleia Geral das Nações Unidas é um palco que Trump não pode desperdiçar quando os Estados Unidos estão a menos de mês e meio das intercalares e as sondagens apontam a uma derrota em toda a linha dos republicanos.
Discurso doméstico
Num discurso claramente voltado para dentro, Donald Trump falou dos números da pobreza no seu país, garantindo que tirou dessa situação “meio milhão de americanos”.
Fiscalidade, implantação em mercados internacionais e crescimento da economia estiveram também presentes logo a partir dos primeiros minutos da mais de meia hora que levaria a prédica de Trump, para desembocarem na já gasta sentença de que "há dois anos o nosso país estava morto e temos agora o país mais extraordinário do mundo".
"Antes de assumir funções, tínhamos a fronteira mais perigosa do mundo e agora temos a fronteira mais segura da história norte-americana", acrescentou o presidente norte-americano, fechando o círculo das questões domésticas com a garantia de que nos últimos 16 meses entraram zero imigrantes ilegais nos EUA e ligando esta questão ao que garante ter sido a maior queda de sempre nas estatísticas do crime em solo americano.
Com mais anúncios de limpeza do crime nos Estados Unidos e com uma chamada de atenção em particular para a capital, Washington, o presidente sublinhou os investimentos de um trilião e meio de dólares nas forças armadas.
Em suma, "herdámos a idade das trevas da Administração anterior (de Joe Biden) e transformámo-la numa idade de ouro", resumiu.
Trump aponta acordo com Irão após as eleições intercalares
Depois de assinalar a capacidade americana de "enviar o Irão para o inferno sem hipótese de sobreviver, sem hipótese de grandeza futura durante gerações", o presidente americano abriu a possibilidade de um cenário de acordo com Teerão após as eleições intercalares de novembro nos Estados Unidos.
Neste ponto, Trump fez questão de lembrar que não é ele que está no boletim de voto, que não é sobre ele que se fará em mês e meio o escrutínio de metade do mandato republicanos quer na Casa Branca, quer à frente do Congresso e do Senado. Uma nota que acautela a possibilidade de resultados desastrosos que, a confirmarem-se, baterão de frente com o ego de Donald Trump.
Disse depois acreditar que num futuro próximo, "se estivermos unidos", o mundo deixará de estar sob uma das maiores ameaças dos últimos anos, e usou o termo terror iraniano, "e os preços do petróleo vão cair a pique e estarão com um preço mais baixo do que no início do conflito e nessa altura nos Estados Unidos estavam mesmo baixos".
Apontando o paradigma da reformulação do palco global, da transformação do mundo num lugar mais seguro com a mão americana de timoneiro, assinalou que, "como presidente da nação mais extraordinária da história, não tenho interesse em deixar os perigos no mundo florescerem nem mais um dia”.
“Enquanto outros falavam, eu agia. Outros falavam de paz, eu fiz paz. Outros faziam ameaças, eu confrontei ameaças", declarou. "Usei a força para tornar os Estados Unidos o país mais poderoso do mundo e trabalhando com muitas nações desta sala estamos a tratar de décadas de problemas por resolver".
Criticando o Irão por meio século "de um regime de terror, que espalhou carnificina e caos em todo o Médio Oriente e mais além”, acusou Teerão de serem “os bullyes do Médio Oriente”, garantindo que agora “já não são”.
“Desde que assumi funções (...) fiz com que não pudessem ter armas nucleares", disse Trump, lembrando a operação "Martelo da Meia-Noite" levada a cabo contra o regime naquela que foi a primeira ação americana para destruir o programa nuclear iraniano, o que garante ter conseguido, depois de Teerão ter recusado negociações pacíficas.
"Fizeram um míssil capaz de chegar à Europa, e estavam muito orgulhosos disso, espero que os europeus compreendam isso. O objetivo do Irão era uma corrida louca até ter armamento nuclear".
Garantindo que as forças armadas iranianas estão destruídas, o presidente dos Estados Unidos disse que vai ter de escolher entre "aniquilar" o Irão ou chegar a um "acordo" com Teerão”.
Encadeando conflitos, acrescentou no mesmo momento que Moscovo e Kiev porão fim à guerra "mais cedo do que se pensa".
Acordo de paz para a Gaza
Às Nações Unidas, numa espécie de enterrar do machado de guerra como a organização, Donald Trump agradeceu o apoio que foi dado ao seu plano de paz para Gaza, assim como ao Conselho de Paz a que preside e deverá dedicar-se à supervisão da região palestiniana.
O Conselho foi proposto em setembro de 2025, ficando estabelecido e anunciado por Trump em 15 de janeiro de 2026. Os objetivos serão o “promover da estabilidade, restaurar uma governação fiável e legal e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos".
Neste ponto, Trump voltou a lembrar o orgulho que sente por ter terminado oito guerras, um número que vem repetindo tantas vezes quantas tem sido depois contestado.
"Tem sido um orgulho ter posto fim a oito guerras", garantiu perante a câmara.
Relatou depois as circunstâncias da detenção em Caracas do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, para elogiar as circunstâncias que passaram a moldar as relações dos Estados Unidos com o país, permitindo o que diz ser "o maior acordo de petróleo da história", aquele celebrado entre norte-americanos e venezuelanos.
"Juntos temos 60 por cento do petróleo do mundo", garantiu.
No encalço desta ideia, sublinhou que os Estados Unidos usarão o seu poder militar para garantir os seus interesses na região das Américas, uma ideia que mostrou já esta terça-feira resultados sólidos com a assinatura em Nova Iorque de um acordo sobre a Gronelândia.
Referindo o reforço militar no território dinamarquês, Trump anunciou que após as assinaturas de Estados Unidos e Dinamarca "iniciaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar nos locais apropriados [incluindo] a construção de duas bases de grande dimensão".
Entre os vários anúncios, Donald trump teve ainda tempo para um toque pessoal na nomenclatura universal: os Estados Unidos passarão a utilizar a expressão "superinteligência" em vez de "inteligência artificial".
Assinalando o aniversário festejado há um par de meses dos 250 anos dos Estados Unidos, Trump anunciou, “com orgulho, que a América está de volta e o nosso país está mais forte hoje do que alguma vez: a nossa economia é a inveja do mundo, o nosso exército é o mais forte do mundo, a nossa tecnologia é ímpar e somos líderes em tudo”.
“O nosso poder alarga-se, o nosso país está melhor do que nunca e o nosso futuro é muito risonho”, declarou perante a assembleia, para passar de seguida aos números da economia americana e virando o discurso anual nas Nações Unidas para dentro do país, com as questões domésticas a dominarem por largos minutos o que pode ser visto como um momento de campanha.
A Assembleia Geral das Nações Unidas é um palco que Trump não pode desperdiçar quando os Estados Unidos estão a menos de mês e meio das intercalares e as sondagens apontam a uma derrota em toda a linha dos republicanos.
Discurso doméstico
Num discurso claramente voltado para dentro, Donald Trump falou dos números da pobreza no seu país, garantindo que tirou dessa situação “meio milhão de americanos”.
Fiscalidade, implantação em mercados internacionais e crescimento da economia estiveram também presentes logo a partir dos primeiros minutos da mais de meia hora que levaria a prédica de Trump, para desembocarem na já gasta sentença de que "há dois anos o nosso país estava morto e temos agora o país mais extraordinário do mundo".
"Antes de assumir funções, tínhamos a fronteira mais perigosa do mundo e agora temos a fronteira mais segura da história norte-americana", acrescentou o presidente norte-americano, fechando o círculo das questões domésticas com a garantia de que nos últimos 16 meses entraram zero imigrantes ilegais nos EUA e ligando esta questão ao que garante ter sido a maior queda de sempre nas estatísticas do crime em solo americano.
Com mais anúncios de limpeza do crime nos Estados Unidos e com uma chamada de atenção em particular para a capital, Washington, o presidente sublinhou os investimentos de um trilião e meio de dólares nas forças armadas.
Em suma, "herdámos a idade das trevas da Administração anterior (de Joe Biden) e transformámo-la numa idade de ouro", resumiu.
Trump aponta acordo com Irão após as eleições intercalares
Depois de assinalar a capacidade americana de "enviar o Irão para o inferno sem hipótese de sobreviver, sem hipótese de grandeza futura durante gerações", o presidente americano abriu a possibilidade de um cenário de acordo com Teerão após as eleições intercalares de novembro nos Estados Unidos.
Neste ponto, Trump fez questão de lembrar que não é ele que está no boletim de voto, que não é sobre ele que se fará em mês e meio o escrutínio de metade do mandato republicanos quer na Casa Branca, quer à frente do Congresso e do Senado. Uma nota que acautela a possibilidade de resultados desastrosos que, a confirmarem-se, baterão de frente com o ego de Donald Trump.
Disse depois acreditar que num futuro próximo, "se estivermos unidos", o mundo deixará de estar sob uma das maiores ameaças dos últimos anos, e usou o termo terror iraniano, "e os preços do petróleo vão cair a pique e estarão com um preço mais baixo do que no início do conflito e nessa altura nos Estados Unidos estavam mesmo baixos".
Apontando o paradigma da reformulação do palco global, da transformação do mundo num lugar mais seguro com a mão americana de timoneiro, assinalou que, "como presidente da nação mais extraordinária da história, não tenho interesse em deixar os perigos no mundo florescerem nem mais um dia”.
“Enquanto outros falavam, eu agia. Outros falavam de paz, eu fiz paz. Outros faziam ameaças, eu confrontei ameaças", declarou. "Usei a força para tornar os Estados Unidos o país mais poderoso do mundo e trabalhando com muitas nações desta sala estamos a tratar de décadas de problemas por resolver".
Criticando o Irão por meio século "de um regime de terror, que espalhou carnificina e caos em todo o Médio Oriente e mais além”, acusou Teerão de serem “os bullyes do Médio Oriente”, garantindo que agora “já não são”.
“Desde que assumi funções (...) fiz com que não pudessem ter armas nucleares", disse Trump, lembrando a operação "Martelo da Meia-Noite" levada a cabo contra o regime naquela que foi a primeira ação americana para destruir o programa nuclear iraniano, o que garante ter conseguido, depois de Teerão ter recusado negociações pacíficas.
"Fizeram um míssil capaz de chegar à Europa, e estavam muito orgulhosos disso, espero que os europeus compreendam isso. O objetivo do Irão era uma corrida louca até ter armamento nuclear".
Garantindo que as forças armadas iranianas estão destruídas, o presidente dos Estados Unidos disse que vai ter de escolher entre "aniquilar" o Irão ou chegar a um "acordo" com Teerão”.
Encadeando conflitos, acrescentou no mesmo momento que Moscovo e Kiev porão fim à guerra "mais cedo do que se pensa".
Acordo de paz para a Gaza
Às Nações Unidas, numa espécie de enterrar do machado de guerra como a organização, Donald Trump agradeceu o apoio que foi dado ao seu plano de paz para Gaza, assim como ao Conselho de Paz a que preside e deverá dedicar-se à supervisão da região palestiniana.
O Conselho foi proposto em setembro de 2025, ficando estabelecido e anunciado por Trump em 15 de janeiro de 2026. Os objetivos serão o “promover da estabilidade, restaurar uma governação fiável e legal e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos".
Neste ponto, Trump voltou a lembrar o orgulho que sente por ter terminado oito guerras, um número que vem repetindo tantas vezes quantas tem sido depois contestado.
"Tem sido um orgulho ter posto fim a oito guerras", garantiu perante a câmara.
Relatou depois as circunstâncias da detenção em Caracas do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, para elogiar as circunstâncias que passaram a moldar as relações dos Estados Unidos com o país, permitindo o que diz ser "o maior acordo de petróleo da história", aquele celebrado entre norte-americanos e venezuelanos.
"Juntos temos 60 por cento do petróleo do mundo", garantiu.
No encalço desta ideia, sublinhou que os Estados Unidos usarão o seu poder militar para garantir os seus interesses na região das Américas, uma ideia que mostrou já esta terça-feira resultados sólidos com a assinatura em Nova Iorque de um acordo sobre a Gronelândia.
Referindo o reforço militar no território dinamarquês, Trump anunciou que após as assinaturas de Estados Unidos e Dinamarca "iniciaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar nos locais apropriados [incluindo] a construção de duas bases de grande dimensão".
Entre os vários anúncios, Donald trump teve ainda tempo para um toque pessoal na nomenclatura universal: os Estados Unidos passarão a utilizar a expressão "superinteligência" em vez de "inteligência artificial".